Marinaleda

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RESIGNAR-SE, NUNCA!

sábado, 6 de abril de 2019

MINHA HISTÓRIA COM AS DROGAS


Tenho uma experiência pessoal a respeito do uso de drogas, lícitas e ilícitas.

Aos 11 anos de idade comecei a utilizar bebidas alcoólicas. Eu era muito tímido, e o álcool dava-me coragem para sorrir, conversar, “paquerar” as meninas, etc.

Aos 15 anos, ainda usando o álcool, aliás, uso-o até hoje, tenho 51 anos, experimentei maconha pela primeira vez, não gostei, mas para me afirmar no grupo fumava vez ou outra, mas sem prazer algum.

Do meu grupo de umas quinze pessoas, da infância até a adolescência,  entre homens e mulheres, um morreu de acidente de carro dirigindo embriagado e o outro de AIDS. A morte por aids nada teve há haver com as drogas, mas por transmissão sexual, ele era bissexual, e na época pouco se sabia sobre a doença.

Na minha casa só eu bebia, mas meus pais e minhas três irmãs fumavam cigarros, e muito, uma ou duas carteiras por dia, isto durou uns vinte anos. Uma de minhas irmãs, com 49 anos, teve câncer de mama, não sei qual o percentual do cigarro na doença.

Eu bebia muito. Às vezes a ressaca moral durava dez vezes mais que a ressaca causada pelo álcool, mas nunca consegui parar. Aos 23 anos descobri que tinha depressão, quem nunca teve não sabe o horror dessa doença, é algo que não desejamos ao mais asqueroso ser humano.

Apesar da bebida, estudei, fiz graduação, pós-graduação e comecei um mestrado que não terminei por que tive uma longa crise depressiva (2002). Agora estou novamente em crise depressiva, desde maio de 2012.

Apesar da bebida, e do eventual baseado, fiz vários concursos e hoje exerço um cargo que é o top para a minha graduação. Não me acho especial por isso, mas tira o peso de que eu iria fracassar, sob o ponto de vista capitalista, por ser um alcoólatra. Hoje não acho tão legal ter seguido a minha carreira atual, queria mesmo era ser jornalista, mas, ce la vie.

No meu trabalho, tenho um grupo de amigos, eu e mais três, todos bebem muito. C. é matemático e filósofo, além de ser o melhor ser humano com quem já tive contato aqui no planeta; A. é matemático e J. é economista e historiador, conversar com eles numa mesa de bar é como estar em uma aula de humanismo, história, filosofia, entre outras coisas.

Casei, tenho três filhos e dois netos; continuo bebendo para aguentar viver neste planeta tão injusto, sinto-me impotente e bebo para a vida não ser tão amarga, para não cometer suicídio.

Continuo a consumir várias drogas, entre elas, vários remédios para depressão; agrotóxicos nas frutas, legumes e vegetais; conservantes e diversas substâncias cancerígenas em alimentos embalados, enlatados, engarrafados, etc.

Por tudo isso sou a favor da descriminalização de todas as drogas ilícitas. É um sonho que não verei, nem mesmo a maconha, droga tão leve e que não causa qualquer dano social, está longe de ser descriminalizada. O tráfico de drogas movimenta bilhões de dólares anuais em todo o mundo, além de ser casado com o tráfico de armas. Derrotar esta indústria bilionárias é quase impossível, ou melhor, é impossível.

Recife, 2013.

quarta-feira, 3 de abril de 2019

“Porque longe das cercas embandeiradas que separam quintais” (Raul Seixas)



Um general do desgoverno bolsonaro sugere reverência semanal à bandeira do Brasil (Bolsonaro, ao contrário, prefere reverenciar a Bandeira dos EUA). Não vou citar o nome do general, pois era um desconhecido e daqui a pouco tempo será sempre um desconhecido. Basta dizer general para que possamos imaginar, sem erro, o seu perfil: alguém dotado de uma capacidade mental subutilizada, capaz de, ocupando um alto posto na hierarquia governamental, falar abobrinhas inaproveitáveis, insignificantes e toscas. Não ouço dos generais brasileiros uma palavra de carinho, de ânimo, de amor ao povo ou à pátria brasileira.

Qual a formação desses oficiais? Que livros leem? Por acaso aprendem apenas sobre guerras e não sobre paz? Sobre subserviência (aos EUA) e não sobre soberania? Leram “A arte da guerra”, de Sun Tzu e conseguiram, nas entrelinhas, apreender lições sobre a vida? E “É isto um homem”, de Primo Levi.? Tem algum escritor preferido? Já leram algum poema ou romance? São perguntas que fazemos diante da homogeneização do pensamento militar brasileiro, sempre à direita, sempre subserviente.

Reverenciar uma bandeira, no fim das contas um pedaço de pano, mesmo com um significado emotivo, me lembra o reverenciar o bezerro de ouro da bíblia, seria mais um conselho de algum pastor picareta, interessado apenas no dinheiro dos fies, fies estes que pensam que podem compra deus com dinheiro, é risível, mas traz estragos à sociedade.

Moramos todos num mesmo planeta, um pequeno ponto azul dentro da imensidão do Universo, frágil, a mercê de cataclismos naturais. Um meteoro ou um supervulcão, como o de Yellowstone, nos EUA, acabariam com a nossa mesquinha e malévola espécie. Bandeiras e fronteiras, no final das contas, servem apenas para exacerbar o xenofobismo, o racismo, o pré-conceito com os migrantes. Somos um só povo, vivemos num só muno: o planeta Terra, ansiosos por subsistirmos unidos e em harmonia com a natureza. Ouçamos os poetas, ouçamos o Mestre Raul Seixas.

Patriotismo, nacionalismo, de verdade, é proteger nossas riquezas e não há um general que o faça publicamente, – se é que há os que o façam na vida privada, impedidos de se pronunciar pela hierarquia pré-histórica das forças armadas – nenhum protesto contra a venda da Embraer; a entrega de Alcântara; a destruição da Petrobrás, da Eletrobrás; a favor das nossa riquezas minerais; ao contrário, em 2018, o ministro do exército general Eduardo Villas Bôas ameaçou o STF – acovardado, como falou Lula – com um golpe, caso fosse concedido habeas corpus ao Maior Presidente que este país já teve, este sim um grande nacionalista.

Ou seja, os militares não jogam o jogo democrático, mas o da chantagem; não trabalham à luz do dia, mas na surdina. Por que fazer proselitismo com a bandeira e o patriotismo do povo? No mínimo, falta de respeito.

quinta-feira, 28 de março de 2019

GILMAR MENDES E OS REPULSIVOS


Atualizado em 04/04/2019, às 19H:48min.

Vendo hoje os ataques realizados pela direita ao STF e em especial ao Ministro Gilmar Mendes pelos bolsominions e lavatistas, observamos como é líquido o cenário político; como é líquida a confrontação de forças; como, a partir da globalização,segundo Zygmunt Bauman, as relações passaram a ser líquidas (múltiplas, combinadas e diversas), e as identidades do sujeito refletem-se, logicamente, no jogo do poder.

Gilmar sempre foi, desde que assumiu uma cadeira no STF em 2002, galgado por FHC, o ministro mais forte da Corte; o mais carismático; o ministro mais fiel aos ideais políticos dos que o levaram ao Supremo; o ministro, de longe, mais corajoso para assumir as suas posições sem qualquer medo de retaliação de qualquer espécie, pois que protegido pelo stabelichment, pela ordem, pelo Poder.

Não sou um admirador de Gilmar Mendes, ao contrário, mas, reconheço o seu talento político, a sua coragem e a sua lealdade a uma visão de mundo da qual sou opositor.

Lembro que em 2005, num seminário de Direito Administrativo que participei em Belo Horizonte, o palestrante era o jurista, advogado e professor Celso Antônio Bandeira de Mello, e, quando o assunto passou a ser o STF o palestrante não poupou críticas aos Ministros: vaidosos ao extremo não mereciam palmas, para ele o único Ministro digno de tal expressão era o Ayres de Brito, que no final deu no que deu.

Mas o que quero ressaltar é que naquele 2005 ninguém que não fosse da área de direito, e olhe lá, eu mesmo não sabia, conseguiria dizer o nome de meia dúzia de Ministros. Naquela palestra além de Ayres de Brito eu sabia nominar Joaquim Barbosa, por ter sido o primeiro negro a integrar o STF, indicado por Lula. Que desastre de indicação, e dizem que teve o aval de, entre outros, Frei Betto, a quem muito admiro.

Naquele ano ainda não havia acontecido o reality show do Mensalão petista. A partir dali, com a anuência e empolgação da maioria dos Ministros os mesmos ficaram nacionalmente conhecidos e viraram atração e instrumento para a caça aos esquerdistas. O reality foi o embrião da Lava Jato. O teste para a reimplantação do liberalismo econômico no país; primeiro, com o impeachment de Dilma-2, a que nunca deveria ter sido (que decepção); depois, com a destruição da economia pelos lavateiros e, por fim, a prisão de Lula que possibilitou a eleição de Bolsonaro, o Coiso.

Gilmar e o Supremo deixaram que a democracia fosse relegada a segundo plano, bem como a Constituição, tudo em nome de prender Lula e expulsar o PT da luta política e, claro, destruir a política mínima de inclusão social dos trabalhistas. Tudo era permitido, todos falavam grosso com Lula, o PT e as esquerdas. Os monstros foram liberados para combater os avanços civilizatórios e os direitos trabalhistas. Os monstros criaram corpos e ficaram incontroláveis. Sem a grande mídia, claro, sócia do capital financeiro, nada disso teria sido possível.

Hoje o Supremo tenta reparar os danos causados a sua imagem, não por que de repente entenderam que remavam para o lado da barbárie, mais porque agora eles mesmos, Toffoli, Gilmar e companhia passaram a ser alvos dos Monstros e da barbárie que ajudaram a criar e a sobrevivência está ameaçada.

Agora Gilmar e companhia sabem o que é conversar com o autoritarismo. Os governos do PT eram exageradamente republicanos, de um republicanismo ingênuo, o de Bolsonaro exageradamente irresponsável, buscando plantar o caos para tentar colher o que Jânio Quadros não conseguiu.

Assim como Gilmar Mendes é o “cara” da direita no STF, ou era, - infelizmente nenhuma das indicações do PT têm 1% da fibra de Gilmar – o mais repulsivo ministro, apesar da enorme concorrência – Toffoli, Fux e Luis Roberto Barroso –  é o Edson Fachin, que segundo Luis Nassif(1) se submeteu às pressões externas, abrindo mão de suas convicções, que acredito não era verdadeiras, e passou de progressista a extremamente punitivista e contrário as pautas da esquerda com a qual se dizia aliado: “Eu tenho lado!”.

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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Os militares, os robôs e as pensões na nova fase do capitalismo


Em tempos distópicos, acelerados com a eleição de Bolsonaro e uma agenda fundamentalista, tanto nos costumes (educação, religião, etc.) quanto na economia (escola de Chicago), passamos a ter uma sensação, inclusive física, com o aumento da intolerância e da violência, que os fins dos tempos chegaram e que a humanidade falhou no seu projeto de civilização, mas, por incrível que pareça, o buraco é mais embaixo.

Para nós brasileiros, com a possível e provável extinção de todos os direitos trabalhistas e com o fim da previdência pública, uma guerra contra a Venezuela, a mando dos EUA, nos transformará num inferno, portanto, o buraco não tem fim.

Em tempos de desemprego em alta, vislumbrasse num futuro próximo uma maior escassez dos mesmos com o desenvolvimento de robôs cada vez mais inteligentes, substituindo a mão cheia os trabalhadores humanos (1) e forçando os salários para baixo (2).

A cada nova geração de robôs – que pode ser menor que um ano calendário – mais empregos e mais baixos salários vão sendo acumulados na conta negativa da humanidade, pois, pelo andar da carruagem da história nós nos mostramos insensíveis com a condição daqueles mais necessitados, por isso, guerras, desemprego, fome e doenças não são suficientes para sensibilizar os 1% mais ricos do planeta (3).

Até em relação ao sexo os robôs já estão competido com os humanos (4). Portanto, nenhuma profissão hoje existente está livre de ser substituída por robôs. Até e medicina será mais segura e eficiente – para os que possam pagar por ela – quando for exercida por máquinas inteligentes e que não erram.

Por que então haveria a profissão de polícia ou soldado ficar a salva da evolução tecnológica?(5) Ao contrário, é só da uma busca no Google que você saberá que países como EUA, Rússia e China estão investindo maciçamente em soldados robóticos, assim como em drones que de maneira mais segura e eficiente substituirão soldados humanos.

Soldados humanos são caros, facilmente eliminados, sofrem com os efeitos das guerras, têm sequelas físicas e mentais, o que tem como conseqüência gastos elevados com saúde. Enquanto vivos recebem salários, mortos geram pensão para seus dependentes.

“Como faço para manter a autoridade sobre minha força de segurança após o evento?  Esta pergunta foi feita ao pensador Douglas Rushkoff por um grupo de milionários.(6) E por que foi feita? Por que a “minha força de segurança” é composta por humanos que precisam de recompensas como salário, proteção, reconhecimento, etc. E quando os robôs passarem a ser essa “minha força de segurança”? Todas as recompensas serão desnecessárias, os gastos serão reduzidos e os lucros aumentarão.

Essas minhas considerações vieram a tona em vista da reforma da previdência pública que o governo Bolsonaro quer realizar. Na verdade não se trata de reforma, mais de destruição da previdência pública (7) que passará a ser parte do butim dos Bancos que sugarão, para nunca mais devolver, toda a poupança feita pela população, inclusive o FGTS.

Talvez fique fora da reforma os militares e juízes, talvez, mas é bem provável. Mas um dia, não digo os juízes que são filhos das elites, mas policiais e militares de baixa patente serão, com certeza, substituídos por máquinas e não terão mais necessidades de receber a proteção social que hoje recebem.

Segundo o Ministério da Defesa (8) em 2013 o Brasil possuía um quantitativo de 359.386 militares, incluindo, Marinha, Exercito e Aeronáutica e excluídos os policiais militares, quantos destes serão necessários para conduzir robôs cada vez mais sofisticadíssimos que a cada dia substituem mais a mais seres humanos? Talvez 10% (por cento) e todos com a patente de oficiais e altamente capacitados tecnologicamente.

Infelizmente os militares brasileiros – principalmente os do Exército, que são os que mais barbaridades alardeiam – não são patriotas. Só uma pequena parte, – sem voz – talvez. E o digo por que – e esta é a sua maior missão, constitucional inclusive – não protegem as nossas riquezas. O pré-sal está sendo vendido a preços ridículos; (9) empresas de base qual a Embraer vendida a Boeing; projetos, como o submarino atômico e os caças suecos, abandonados; o Aquífero Guarani, que provavelmente será comprado pela Nestlé, etc., nada é motivo de preocupação dos militares brasileiros, que, com uma agenda da antiga guerra fria, estão mais preocupados em dizer que a ditadura de 64 não foi ditadura (10), ao invés de pedirem desculpas ao povo e passarem a uma nova página da história, invocam fantasmas dos quais deveriam se envergonhar.

O que deveria diferenciar o militar de outro servidor público ou de um civil era apenas a farda, ou seja, as funções desenvolvidas; sem farda o militar é apenas um cidadão comum como todos nós outros, com desejos, medos, necessidades e humano, demasiadamente humano quanto qualquer um nascido no planeta.
Hoje não, mas amanhã com certeza, os militares serão excluídos pela elite financeira mundial, e serão descartados, como são os demais trabalhadores, pelo avanço tecnológico, e ai, sem mais as forças das armas, não servirão nem para força auxiliar dos EUA (11) quanto mais para defensores de uma pátria falida.

Ainda há tempo. E o inimigo vem do norte.
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domingo, 8 de abril de 2018

LULA PRESO

Foto de Francisco Proner Ramos

Lula preso é um tapa na cara do povo brasileiro, do povo sofrido, claro. É o fim da democracia. É a prova de que o golpe que derrubou Dilma Roussef, e colocou uma quadrilha no poder, está se aprofundando e se transformando em uma ditadura fascista com a aliança entre a grande mídia (rede globo) e o judiciário e tutelada pelas forças armadas.

Lula preso – a próxima será Dilma, como já o foram José Genoíno e José Dirceu – é um recado da elite escravagista a todos os que sonham, lutam e militam por uma país melhor, mais justo, menos desigual: “Nós vamos fuder com quem se atrever a pensar em mudar a vida dos pobres.”

Lula preso é tomar consciência de que não há diálogo possível com a elite escravagista brasileira, pois a mesma é tacanha, burra, violenta e fascista.

Lula, um conciliador, que nunca teve uma atitude de confronto com o poder, que apenas queria transformar o Brasil numa democracia social, à maneira dos países da Europa ocidental, sem mexer nos pilares do capitalismo, é perseguido, e condenado, sem provas, num processo fraudado, desde a investigação policial, a denúncia pelo ministério público, o julgamento por um judge estrangeiro e a sua confirmação por tribunais superiores, trf4 e stf.

Lula um líder, um grande estadista, que teve por crime sonhar um sonho de igualdade, nos faz entender que não há dialogo ou acordo possível com os inimigos do povo.

Desde a farsa do julgamento do mensalão, capitaneada por Joaquim Barbosa, que se preparou o terreno para a perseguição aos que estão ao lado do povo; para a destruição de um projeto de Brasil grande, poderoso, ator relevante na disputa multipolar pelo poder junto com os BRICS.

Todas as nossas conquistas, nos Governos Lula e Dilma-1, foram sendo destruídas. O Pré-sal, que traria recursos para a educação e saúde foi entregue, pelo governo golpista de Temer, a preço de banana a empresas estrangeiras; nossa participação nos BRICS foi boicotada e já faz parte do passado; nossos projetos de submarino nuclear e dos caças suecos foram destruídos pela lava jato; e venda da Embraer e a venda da Eletrobrás são as próximas etapas da entrega de nossa soberania aos estrangeiros.

Espanta-me que toda essa destruição não sofreu nenhuma crítica ou tentativa de obstrução por parte dos setores nacionalista, se é que existem, p. ex., das forças armadas, tendo em vista que a soberania brasileira está ameaçada ou melhor já foi ferida de morte.

O que parece, com o pronunciamento do chefe do exército brasileiro, diante da possibilidade de Lula conseguir um habeas corpus junto ao supremo, ameaçando a ministra Rosa Weber - aquela que condena sem provas -, é que o exército optou por sua mexicanização, por ser uma força auxiliar dos eua, uma força policial, e não uma corporação independente e com a missão de proteger o seu país, o que é triste, além de ser uma traição.

Sinto que os Governos Lula e Dilma-1 – pois, Dilma-2 foi um grande fracasso, uma grande decepção – não tenham destruído a maior inimiga da nossa democracia, a rede globo; que não tenham aparelhado a procuradoria geral da república; que não tenham aparelhado o stf.

Sinto muito mais, e isto me dói – assim como me doeu muito a morte do Grande Comandante Hugo Chávez – a prisão do Grande Estadista Lula da Silva, a grande esperança de impedir que os fascistas – representados hoje pela imprensa hegemônica, mormente, a Rede Globo, pela classe média racista e saudosa da escravidão, pela maioria das forças armadas, do mpf, dos juízes federais, da polícia federal e do stf “com o supremo, com tudo.” – destruam o futura do nosso país, da nossa nação.

Fica a lição, a elite rentista e escravagista, não só no Brasil, mas em todo o mundo, só entende uma única linguagem: a violência. Como dizia o Grande Comandante Mao Tsé-Tung, “o poder se conquista na boca de um fuzil”.

Força, Lula! Força, Grande Comandante! Lula livre!

segunda-feira, 3 de julho de 2017

A lista tríplice do MPF e o republicanismo de merda dos Governos Lula e Dilma



Todos conhecem Temer. Não é mais necessário adjetivá-lo. O que penso de Temer é o que todos que o rejeitam pensam. Só não sabe quem é Temer os que não o querem saber.

Golpista – e traidor – é como vai ser conhecido pela História. Destruidor de um Estado minimamente preocupado com a desigualdade social será sua outra face. Inepto, ambicioso, egoísta, corrupto, etc.

Mas, o que Temer fez, ao indicar Raquel Dodge para o cargo de Procuradora-Geral da República, e não o primeiro colocado na lista tríplice do MPF, foi um acerto político. Merece palmas. É assim que se faz política. Política não é uma competição para se eleger um Santo que abençoado por Deus vai resolver todos os problemas de um país.

Geraldo Brindeiro, indicado por FHC, por oito anos, foi o sétimo da lista.

E não foi isso que o PT fez, nem em relação as escolhas dos procuradores-gerais, nem em relação as nomeações para o STF.

Tivesse o PT aparelhado – sim, todo mundo aparelha, só não o faz quem é burro – o STF o golpe nunca teria passado. Mas, não, em nome de um republicanismo alienígena nomeou inimigos dos seus projetos sociais, dentre outros, Dias Toffoli, Luiz Fux e Joaquim Barbosa.

Os presidentes não tinham assessoria? Por não consultaram, se eram incompetentes, a AJD?

Onde está escrito que o Presidente da República deve indicar o primeiro da lista tríplice? Dizem alguns que é um acordo de cavalheiros desde 2003.

Vejamos os indicados por Lula e Dilma, o primeiro foi Cláudio Lemos Fonteles, para este eu bato palmas; mas, os demais, Antonio Fernando de Souza, Roberto Gurgel e Rodrigo Janot, eram pessoas que (i) não tinha nenhuma simpatia pela plataforma dos governos Lula e Dilma, (ii) perseguiram o PT e as esquerdas tanto no mensalão quanto na lava jato, (iii) buscavam dar satisfação das suas ações aos seus eleitores e não a massa de milhões de eleitores que votaram no governos trabalhista.

Pesquisem sobre esses personagens e veja como tinham lado. Na verdade, todos nos temos lados. Por isso os indicados deveriam ter lado, o lado do povo, o lado de um projeto que queiria distribuir renda, uma coisa mínima, bem longe, muito longe do Estado do Bem Estar na Europa ocidental.

Um acordo de cavalheiros nos ferrou. A direita ri. A população sofre. As esquerdas são perseguidas.

Veja no que se transformou o MPF, um monstro, que sem votos quer engolir a Democracia e o Estado Democrático de Direito. Procuradores ganhando salários superiores aos permitidos pela Constituição, perseguindo políticos de esquerda, demonizando a política, etc. É a essa categoria – repito, sem voto e sem respeito pela Constituição – que os Governos Lula e Dilma referendavam e abriam mão de um projeto popular?

Juntos, MPF e Moro, através da Lava Jato, destruíram a economia brasileira.

Por isso Temer fez a coisa certa. Parabéns pera ele. Lista tríplice que nada. A indicação é exclusiva do Presidente da República.

Aliás, Temer contou com a ajuda do Procurador-Geral indicado por Dilma, de forma republicana, e do Supremo, onde 8 dos ministros atuais foram indicados por Lula e Dilma, também de forma republicana, para abençoaram o golpe de Temer e companhia, que nada teve de republicano.

No Supremo quem manda é Gilmar Mendes, indicação perfeita, de FHC, para o projeto tucano de destruição do Brasil. O homem certo no lugar certo. Independente de quem está na presidência do STF, todos têm medo de Gilmar e batem palmas – ou calam-se, o que é pior – para as suas atitudes políticas quem vão de encontro ao que se espera de um juiz minimamente isento.

É a isso que alguns chamam de republicanismo mamão com açúcar dos governos petistas. Prefiro um nome mais agressivo, mais forte, malcheiroso, que retrate a burrice dos seus protagonistas, prefiro republicanismo de merda.

Como pessoas como Eugênio Aragão, Kenarik Boujikian, Siro Darlan, Tutmés Airan de Albuquerque Melo, etc., etc., etc., NUNCA foram indicadas para o STF ou, no caso de Eugênio Aragão, também, para o cargo de Procurador-Geral?

Fosse eu, o Presidente da República, ao receber a liste tríplice enviada pelo MPF a transformaria em papel higiênico.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Não consigo sentir empatia pelo inimigo


Preciso confessar. Está engasgado na minha garganta. Preciso falar, até para mim mesmo e aproveitar as minhas palavras como forma de progredir como ser humano.

Sou um homem de esquerda. Aprendi a ser feminista. Não abro mão dos meus sonhos de uma sociedade justa, mesmo diante da morte.

Cheio de falhas, vou evoluindo constantemente ou penso que sim.

De repente me pego em falha ética, pois, ao contrário da GRANDE maioria dos amigos, jornalistas, blogueiros, etc., pessoas de esquerda, pessoas que admiro e aprendi a ouvir/ler, não consigo sentir empatia pela jornalista Raquel Sheherazade.

Reconheço que ela sofreu assédio moral. Tomará alguma providência? Duvido.

Claro que Sílvio Santos não poderia tratá-la da forma que a tratou, nem a ela nem a ninguém. Mas ela tem opção, por que não reagiu? E o que ela esperava receber de um espécime de pessoa como o “patrão”? Ela tão arrogante e violenta com os esquerdistas é uma cordeirinha vendida por um gordíssimo salário.

Não é surpresa para ninguém, que Sílvio Santos humilhou, humilha e continuará humilhando calouros, jurados, mulheres do seu auditório, travestis que lá vão se apresentar, etc., mas, nunca vi uma indignação tão GRANDE como a que está se vendo com esculhambação do patrão à empregada famosa.

Não vi/ouvi, nem na TV, que há mais de 20 anos não assisto, nem na internet as merdas que Sílvio Santos falou para ela, apenas li transcrições.

Não gosto de ver ninguém ser humilhado, mesmo aquelas pessoas por quem tenho ojeriza. Não me sinto bem. Fico constrangido. Indignado.

A verdade é não vejo Sheherazade como mulher, socialmente falando, “ninguém nasce mulher...”, ou como empregada. Duvido que, na sua ânsia por poder, prestígio e dinheiro ela fosse defender o indulto às mulheres, negras e periféricas, em sua grande maioria presas por porte de drogas. Duvido, novamente, que reconheceria o direito de greve dos empregados do SBT, se fosse o caso.

Pergunto-me por que ela, a Sheherazade se passa, como mulher, jornalista e ser a porta-voz da intolerância? Para mim é simplesmente por fama e dinheiro. Não admiro esse individualismo. Não posso ser solidário a tal figura nefasta só por que ela é mulher.

Todos os dias, para quem a assistiu, ela, com suas falas hidrófobas, humilhava os marginalizados, os mais frágeis, e dentre os mais frágeis estão as mulheres. No entanto, foi tão passiva diante do bilionário branco… cadê a sororidade, Raquel?

“Mexeu com uma mexeu com todas” para mim não é argumento suficiente para defender ou sentir empatia por Raquel Sheherazade.

Estou sendo bem sincero e me expondo a críticas junto às pessoas que admiro, pessoas de esquerda, claro.

No momento em que ela, usando uma concessão pública, destilava seu ódio contra os marginalizados, a soldo do Sílvio, ali ela era toda poderosa e arrogante. Não havia limites para os seus arroubos, claro, que com a autorização do todo poderoso do SBT.

Vítimas da sociedade patriarcal somo todos nós, principalmente, claro, as mulheres. Dentre as mulheres as mais frágeis socialmente. As com os piores empregos, as mães que cuidam só dos filhos, abortados pelos pais, as presas por porte de drogas, as periféricas, as negras, as lésbicas, as travestis, as trans. Sou solidário a todas, mas não consigo sentir empatia pela jornalista.

Peço perdão aos que discordam de mim. Sou falho, rancoroso, humano, demasiado humano. Não sou perfeito, ao contrário.

Nunca perderia o meu tempo e minha pena em solidariedade a ela. Ela é minha inimiga. Bolsonaro é meu inimigo. Os EUA, o Bradesco, Temer, Moro são todos meus inimigos. Meu tempo e minha pena são solidário com os 99%, não com escrotos.

Admiro a todos que a defenderam, dentre eles, Cynara Menezes, Nelson Barbosa, Elika Takimoto, mas, não alcanço a sabedoria dos mesmos.